segunda-feira, 17 de novembro de 2014

HOSPITAIS: O QUE ELES NÃO CONTAM, É COMO SE PROTEGER


Hospitais: O que eles não contam e como se proteger (Foto: VikaValter/Getty Images/Vetta)

MOMENTOBASIL.COM(Comentário):

Estamos repassando esta matéria pela importância da mesma.









Até os melhores cometem erros grosseiros, revela o médico americano Martin Makary. Como escolher nas mãos de quem entregar seu patrimônio mais precioso – a saúde


CRISTIANE SEGATTO

 (Foto: VikaValter/Getty Images/Vetta)

Quando atravessamos a recepção elegante de um hospital de boa reputação, somos encorajados a pensar que ele funciona como um território vigiado. Cada funcionário em seu lugar, trabalhando de acordo com padrões, atento ao fato de que deslizes serão notados, anotados e corrigidos. Quem conhece os bastidores das mais respeitadas instituições tem outra visão. “A realidade é mais parecida com o Velho Oeste”, diz o médico americano Martin Makary, um observador privilegiado das entranhas dos mais badalados hospitais dos 
Estados Unidos. Sem meias palavras, Makary expõe verdades incômodas no livro Unaccountable: what hospitals won’t tell you and how transparency can revolutionize health care (em português, Sem prestar contas: o que os hospitais não contam e como a transparência pode revolucionar a assistência à saúde). É hora de quebrar o silêncio.

A obra de Makary, comentarista das redes de TV CNN e FoxNews, recém-lançada nos Estados Unidos e ainda sem editora brasileira, não passou despercebida. “A cada colega que me considerou um traidor por escrever esse livro, cinco me agradeceram”, disse Makary a ÉPOCA. “É um sinal de que o tempo da transparência chegou.” Cirurgião especializado em aparelho digestivo, Makary trabalhou em várias das mais respeitadas instituições médicas dos Estados Unidos. Fez pesquisas sobre saúde pública na Universidade Harvard, em Boston, e atualmente atende no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. Ele não está sozinho. Há um movimento crescente, observável também no Brasil, em defesa de uma medicina mais transparente. Essa corrente acredita que qualquer cidadão deveria ter acesso a informações objetivas sobre a qualidade dos hospitais.
COMO ESCOLHER UM HOSPITAL?
Saber se ele tem um selo de qualidade internacional é um bom parâmetro. No Brasil, apenas 21 instituições conquistaram o certificado mais valorizado no mundo. Ainda assim, não existe hospital 100% seguro  
SÃO PAULO
Hospital Albert Einstein
Hospital Sírio-Libanês
Hospital Samaritano
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Hospital do Coração/HCor
Hospital Paulistano
Hospital Total Cor
Hospital São José/Beneficência Portuguesa
Hospital Nove de Julho
Hospital São Camilo Pompeia
Hospital Santa Paula
RIO DE JANEIRO
Hemorio/Secretaria Estadual de Saúde
Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia/ Ministério da Saúde
Hospital do Câncer I/ Instituto Nacional do Câncer
Hospital do Câncer II/ Instituto Nacional do Câncer
Hospital São Vicente de Paulo
Hospital Copa D’Or
PORTO ALEGRE
Hospital Moinhos de Vento
Hospital da Criança Santo Antônio/ Santa Casa de Misericórdia
Hospital Mãe de Deus
RECIFE
Hospital Memorial São José
Fonte: Consórcio Brasileiro de Acreditação/ Joint Commission International  

Qual é a parcela de pacientes que contrai infecção em determinada instituição? Qual é o índice de complicações cirúrgicas? Qual é a sobrevida dos doentes depois de um transplante ou operação cardíaca? Quantos recebem medicações erradas durante a internação? No 
Brasil, os melhores hospitais são avaliados periodicamente nesses quesitos e em muitos outros – num total de 1.300 itens. Eles fazem parte de uma elite de 21 instituições (leia a lista ao lado) num universo de 6.500 hospitais do país. Só elas dispõem do selo de qualidade emitido pela Joint Comission International (JCI), uma espécie de norma de controle de qualidade da área da saúde. Esse é o selo mais prestigiado do mundo. Além dessas, 180 instituições têm certificados emitidos por outras entidades.

Nos Estados Unidos e no Brasil, as informações detalhadas sobre cada hospital existem, mas são guardadas a sete chaves. Raras são as instituições que divulgam um ou outro indicador de qualidade. Makary defende a divulgação desses dados. Uma forma simples e objetiva de dar poder aos consumidores do bem mais precioso do mundo: a saúde. Se podemos escolher um hotel ou um restaurante a partir de critérios técnicos, por que não temos o direito de fazer o mesmo por nossa vida?

25% dos pacientes internados sofrem algum tipo de dano, revelou um estudo da Universidade Harvard 

Esse é um debate que faz cada vez mais sentido no Brasil. Nos últimos dez anos, o número de brasileiros que dispõem de planos de saúde privados cresceu 50%. São hoje 47 milhões. Nas grandes cidades, as obras de expansão dos hospitais particulares avançam em ritmo acelerado. Mal são inauguradas, as novas alas se mostram insuficientes para atender tanta gente – principalmente nos prontos-socorros. “Há filas de quatro horas e reclamações por todos os lados”, diz Francisco Balestrin, presidente do conselho da Associação Nacional dos Hospitais Privados. “A pressão dessa demanda exacerbada tira a qualidade do atendimento.” O excesso de doentes é um complicador, mas não explica todas as falhas.

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