quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MASCARADOS OU...















MOMENTOBRASIL.COM(Comentário):

A preamar dos mascarados





A democracia é o governo do poder visível. Sob sua tutela “nada pode permanecer confinado no espaço do mistério”, ensina Norberto Bobbio. A lição é oportuna na quadra em que vive o país, caracterizada por mobilização de grupos e setores, entre os quais o contingente que se autointitula “black bloc”, formado por pessoas que atuam de forma brutal, construindo barricadas, depredando lojas e monumentos, enfrentando a polícia, em aparente demonstração de que a revolta tem como foco o Estado e os símbolos clássicos do capital, a partir da concentração de riquezas.
A crescente onda de violência puxada por esse grupamento, além do evidente refluxo que produz no apoio aos eventos de rua, deixa transparecer uma crise de autoridade. O Estado não tem demonstrado competência para fazer cumprir a lei, seja por leniência, fechando os olhos para o vandalismo, seja por receio de que a força policial puxe para baixo a imagem já negativa de seus governantes, ou ainda por falta de qualificação do aparelho policial para lidar com uma nova ordem social. O fato é que o descontrole fica patente, ensejando, a cada nova manifestação, atos cada vez mais virulentos.
A par das motivações que estão por trás de suas ações diretas e truculentas, é inegável que os “black blocs” afrontam a lei e rompem a textura do Estado de direito. Pode-se até argumentar que não seriam meros vândalos e baderneiros ao inseri-los no ciclo de protestos do final dos anos 1990, quando o grupo ganhou visibilidade nas manifestações contra a Organização Mundial do Comércio, a batalha de Seattle (1999), e contra o G-8, em Gênova (2001), quando morreu o primeiro ativista do movimento antiglobalização, Carlo Giuliani.

BARBÁRIE


Na moldura brasileira, porém, a indignação do grupo não tem como lastro um episódio de envergadura nem o pano de fundo da crise econômica, como a que abalou nações em 2008. O movimento Occupy Wall Street, lembre-se, tinha como foco protestos contra a desigualdade econômica, a influência de empresas e bancos no governo americano, sob a tessitura da crise internacional. A situação deflagrou movimentos congêneres nos países assolados pela mesma borrasca financeira.
Por aqui, o conceito entra mais na esfera da barbárie, convergindo para o que Elias Canetti, no clássico “Massa e Poder”, classifica como malta: “Um grupo de homens excitados que nada desejam com maior veemência do que ser mais; o que lhes falta de densidade suprem por intensidade”.
Não se trata de proibir manifestações, mas de obedecer aos dispositivos constitucionais, principalmente o inciso IV do Artigo 5º da Carta Magna, que estabelece: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.
A este se segue a regra do inciso XVI: “Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião convocada para o mesmo local, sendo exigido prévio aviso à autoridade competente”.
Fonte:Gaudêncio Torquato

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