sexta-feira, 12 de abril de 2013

ENGENHÃO


Adicionar legenda




Repassando

        

                        Hoje, conversando com um amigo que está participando de forma bastante ativa nesse, digamos, entrevero do estádio do Engenhão e o meu clube de coração, o Botafogo, me contou ele uma história mais do que macabra. O estádio, que foi entregue à cidade do Rio de Janeiro para sediar as competições atléticas dos jogos Pan-Americanos de 2007, apresenta problemas crônicos desde que foi licitado e passou ...a ser administrado pelo Botafogo, apenas dois meses após o fim do evento.

                         Os problemas, além do já famoso comprometimento da cobertura vão desde infiltrações por todo o estádio, incluindo aí até os poços dos elevadores que, hora e meia, estão cheios de água, o que pode gerar curto circuitos até azulejos que caem pelos banheiros, encanamentos já comprometidos pela ferrugem e falhas de mistura na concretagem do estádio onde, se estima, foram utilizados, pelo menos, 20% mais areia e menos cimento do que o recomendado. Em suma, o estádio está em ruínas e deverá ficar inativo pelo menos nos próximos dezoito meses. As surpresas não param por aí quando se analisa o histórico da obra em si. Inicialmente “ganha” pela Delta Engenharia (sempre a Delta), a obra foi “transferida” para as empreiteiras OAS e Odebrecht e seu custo inicialmente estipulado em R$ 60 milhões pulou para, pasmem, R$ 380 milhões !!! Isso tudo sob a “fiscalização” (sic) da RioUrbe.

                     Agora, cinco anos após sua inauguração, o povo do Rio de Janeiro recebe a notícia de que o estádio não oferece as mínimas condições de segurança para qualquer tipo de evento e que, ventos de 60 Kms horários, poderiam causar uma tragédia no local. Aí me pergunto: Com o Engenhão fechado, o velódromo “desmontado” e transferido para alhures (irá treinar ciclistas em Goiás) e o parque aquático Julio Delamare que havia sido reformado por R$ 10 milhões e que será demolido para virar estacionamento do Maracanã, o que sobrou para nossa cidade dos tão alardeados equipamentos do Pan ? Nem vou comentar que o Pan seguinte – Guadalaraja 2011 - realizado no México, custou 30% menos do que o nosso, vou relevar esse pequeno detalhe.

                Apenas me pergunto o que restou do Pan para nós cariocas ? Ora, a fatura, claro !!!! Nosso município se endividou, nos contaram incríveis histórias do legado do Pan para a cidade e ficou tudo por aí...Ganharam os que ganham sempre: Os maus políticos, as empreiteiras, seus atravessadores, essa corja que nos trata como débeis mentais. Ao final disso tudo fica a pergunta que não quer calar: Será que o aeroporto e o metrô de Miami nos Estados Unidos recém-construídos e em construção por essa mesma Odebrecth que nos deixou a herança maldita do Engenhão estarão em condições semelhantes às do nosso estádio daqui a cinco anos ? Claro que não, Pedro Bó !!! Estão e estarão funcionando perfeitamente bem para acolher as nossas classes A, B, C, D e E que já estão programando ou programarão com fervor suas idas à Disney, isso claro, se conseguirem embarcar no mais do que caótico Galeão (porta de entrada do Brasil) que, segundo a Infraero, está recebendo investimentos de R$ 800 milhões para sua ampliação. Só peço a Deus que essa “reforma” não esteja sob a administração do mesmo pool de empresas responsável pelas obras do Engenhão, porque aí, nesse caso, vai ficar difícil até escapar desse lamaçal em que se tornou o Brasil...
 






Nenhum comentário: