terça-feira, 15 de maio de 2012

PRESIDENT'A' ou PRESID'ANTA?

MOMENTOBRASIL.COM (Comentário):
Queiramos ou não, o fato é que sempre foi permitida a flexão, ainda que possa parecer estranho o uso ! Afinal, era uma questão de preferência... Todavia, num Congresso abarrotado de projetos de lei e de tantas outras decisões fundamentais para o País, é de se indagar que este mesmo sodalício saia de seus cuidados para "parir" essa lei essencial à vida nacional !
LEI 12.605 de 03 de abril de 2012 torna obrigatória a flexão de gênero ! Att. Professores...








Aprendam.
Acabou a moleza. Quem relutava, se negava ou criticava o pedido meigo de Dilma de ser tratada como presidentA, pode preparar-se para não ser enquadrado como um " fora da lei"...
No último dia 3 de Abril, a presidentA sancionou a Lei 12.605/12. Pra quem ainda duvida, está lá no site da PresidentA. A lei determina a obrigação da flexão de gênero em profissões. Ou seja, agora é presidentA, gerentA, pilotA, e Lula, em sendo mulher, seria "torneira mecânica", etc... Ou seja,
Alguém sabe se senador, deputado e vereador continuam sempre como vigarista,ou, se for homem, muda pra vigaristO?



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Presidência da República Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos






Determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o As instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido.

Art. 2o As pessoas já diplomadas poderão requerer das instituições referidas no art. 1o a reemissão gratuita dos diplomas, com a devida correção, segundo regulamento do respectivo sistema de ensino.
Art. 3oEsta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 3 de abril de 2012; 191o da Independência e 124o da República.
DILMA ROUSSEFF
Aloizio Mercadante
Eleonora Menicucci de Oliveira
Este texto não substitui o publicado no DOU de 4.4.2012
ONDE ESTÁ A ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS???
Sônia van Dijck
Temos o privilégio de viver no tempo em que a Língua Portuguesa (última flor do Lácio, inculta e bela, como disse o poeta que tanto a cultivou) é agredida por decreto.
Somos testemunhas da imposição de um monumento à imbecilidade.
Essa gente que cultiva o “nós vai pegar o peixe”, faltou à aula sobre gêneros (masculino; feminino; e nunca ouviu falar de comuns de dois gêneros, sobrecomuns, epicenos).
Se essa idiotice fizer moda, teremos diplomados dentistos e dentistas, porque teremos torneiro-mecânico e torneira-mecânica; por extensão, teremos declarações escolares tratando de estudantos e de estudantas, pois, do contrário, as mulheres não se sentirão bastante diferenciadas como entas cujo gênero está respeitado, uma vez que, nesse meio tempo, o cônjuge ou cônjugo continuará sendo o marido, enquanto, com certeza, a cônjuga será a parte litigianta no divórcio.
Sendo assim, se tivéssemos um homem na Presidência da República até poderíamos falar do governante ou do governanto. Como é Dilma Rousseff, que foi eleita em 2010, temos mesmo que dizer, sem sombra de dúvida, que ela não é outra coisa que governanta.
Se fosse uma presidente e governante de um dos maiores países da América Latina, não daria tão eloquente atestado de desconhecimento da língua pátria, só pra mostrar que tem poder e que tal poder pode até mandar na Língua Portuguesa. Como a presidente e seus ministros não compareceram às aulas de Língua Portuguesa, nem sabem que a marca do masculino em nosso vernáculo é MORFEMA ZERO.
Que coisa engraçada, diante da ignorância desses três figurões da República (a presidente e seus ministros): na Língua Portuguesa, o masculino tem MORFEMA ZERO.
Claro que o trio vanguardista e revolucionário nem sabe do que estou falando e nem imagina que merda significa a palavra MORFEMA. Por isso, não sabe o que é feminino, comum de dois gêneros, sobrecomum, epiceno. Não sabe que a linguagem é processo (diacronia – sincronia) e que, por analogia, ficará idiota falar tigro/tigra, estudante- estudanto/estudanta, e que testemunho e testemunha têm significados completamente diferentes.
O trio vanguardista (a presidente e seu sábio e sua sábia ministro e ministra) pensam que tudo se resolve com o diploma de fisioterapeuto e fisioterapeuta ou de massagisto e massagista – lamentavelmente, a linguagem não se subordina ao furor uterino tão em voga em terras brasílicas.
A simplificação do problema e de suas repercussões é normal e comum em uma assembleia de ignorantes – ou sob comando ditatorial.
Quando se confunde poder com dominação do saber, a situação fica sem controle e só decreto da governanta pode decidir como se deve falar em nossa casa – somos o dono da casa e estamos em nossa casa (somos povo brasileiro, participante da comunidade lusófona) – como é que o dono casa nem pia ou chia??? – por que o dono da casa (povo brasileiro, participante da comunidade lusófona) tem que papaguear a pretensa sabedoria linguística da governanta e seus serviçais??? Por que a linguagem do cotidiano e a oficial tem que obedecer ao furor uterino, considerando o mal resolvido problema das mulheres agredidas, violentadas, humilhadas, mal pagas???
Nenhum decreto sobre o uso da Língua Portuguesa resolverá nem a violência contra a mulher e nem a exclusão feminina de uma vida plena na sociedade. Por ironia típica dos labirintos da linguagem, ao decretar que passam a existir torneiras-mecânicas, a linguagem decreta a diferença e estabelece essa diferença em relação à norma (de linguagem e de função social), cabendo ao senso comum a valorização positiva ou negativa dessa diferença – e de quem exerce essa diferença, é óbvio!!!
Aporias da linguagem – Mercadante e Eleonora esqueceram o que isso significa. Dilma nunca ouviu falar…
Claro que é bem mais prático e rápido para alcançar resultados em um projeto populista, para ganhar votos, legislar sobre o uso do feminino, principalmente em se tratando de uma sociedade de precária escolaridade e, portanto, de baixa proficiência no vernáculo.
O mulherio se sente com a corda toda, ainda que continue ganhando menor salário que os machos, tenha que parir na porta da maternidade pública que não tem vaga, não encontre vaga na creche para seu bebê, veja seu filho morrer porque uma cretina enfermeira mal preparada e mal paga injetou glicerina na veia do paciente ou outra merda qualquer sem o menor senso de responsabilidade.
Todos esses problemas resolvem-se por decreto linguístico. E as mulheres serão presidentas, governantas, estudantas e entas no seio da sociedade.
E as mulheres já estão felizes – por decreto.
Pergunta que não pode calar: onde está a Academia Brasileira de Letras?????
Por mais avessa a posições políticas (até pelo fato de ser um saco de gatos), a ABL tem compromisso com a Língua Portuguesa. Seu silêncio é inaceitável.
Por favor, repassem: a Língua Portuguesa é propriedade da comunidade lusófona, da qual fazemos parte. Pelo menos Camões, Pessoa, Bilac e Machado ficarão felizes em saber que a última flor do Lácio tem alguns súditos em tempos de prepotência petista.
Parece piada, mas juro é verdade. Espantado com a informação enviada pelo comentarista Marlon, fui conferir no Diário Oficial da União. E lá estava a Lei n° 12.605, de 3 de abril de 2012, que “Determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas. O texto diz o seguinte:
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1°. As instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido.
Art. 2°. As pessoas já diplomadas poderão requerer das instituições referidas no art. 1o a reemissão gratuita dos diplomas, com a devida correção, segundo regulamento do respectivo sistema de ensino.
Art. 3°. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 3 de abril de 2012; 191o da Independência e 124o da República.
DILMA ROUSSEFF
Aloizio Mercadante
Eleonora Menicucci de Oliveira
Ainda convalescendo do assombro, fui de novo socorrido pelo jornalista Celso Arnaldo Araújo. Igualmente alertado pelo Marlon, o grande caçador de cretinices foi à procura do monumento à idiotice. E escreveu outro texto definitivo. (AN)
CELSO ARNALDO ARAÚJO
“It´s good to be the king”, exulta o rei Luis 16, interpretado por Mel Brooks, olhando sarcasticamente para a câmera, no impagável “História do Mundo Parte 1″, sempre que, no exercício de seu imenso poder nas situações cotidianas da corte, experimenta uma espécie de orgasmo absoluto diante da constatação de que pode tudo, literalmente tudo.
Canastrona irrecuperável, frequentemente imagino a presidente Dilma Rousseff parafraseando para si mesma, na ausência de plateia, o bordão de Brooks:
É bom ser a presidenta!
Deve ser mesmo uma concupiscência permanente, incomparável aos pequenos prazeres do fictício Luis 16, exercer um poder como o que Dilma julga ter, na sucessão de Lula 13. E julga ter porque efetivamente tem. Ela pode, por exemplo, dizer disparates que não seriam sequer aproveitados por Mel Brooks numa sátira rasgada sobre uma presidente mulher – e, no dia seguinte, repercutir na grande mídia como grande estadista. E pode ignorar solenemente um escândalo que provavelmente derrubaria até mesmo Luis 16, como o das lanchas imprestáveis do Ministério da Pesca – o qual, por si só, já é uma piada típica das chanchadas da Atlântida nos anos 50.
Mas a lei 12.605, que acaba de ser sancionada pela Presidência da República, eleva – ou reduz ─ o poder de Dilma Rousseff ao patamar risível de um outro personagem de comédia: o ditador recém-eleito da republiqueta sul-americana de “Bananas”, de Woody Allen. Que, no discurso de posse, institui o sueco como língua oficial do país e anuncia uma lei obrigando todo cidadão a trocar a roupa de baixo a cada meia hora – roupa essa usada do lado de fora, para permitir a fiscalização.
Perto disso, a lei 12.605 pode parecer inocente ─ mas é uma piada ainda melhor. Ela simplesmente determina “o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas”. Flexão de gênero, para quem não sabe, pode ser traduzido em língua de gente como “homem ou mulher”, “menino ou menina”. Aliás, sou do tempo em que, nas fichas cadastrais, essa dupla possibilidade era resumida a uma só palavra e um ponto de interrogação: sexo? Aliás, esse tempo ainda é hoje para quem fala português e não estudou na escola de Iriny Lopes e Eleonora Menicucci: o que vemos num ultrassom gestacional é o sexo do bebê. O gênero não interessa aos futuros pais.
Volte um parágrafo e leia de novo: “Determina o emprego obrigatório da flexão de gênero para nomear profissão ou grau em diplomas”. O que isso quer dizer? Que, de agora em diante, por sanção da “presidenta” da República, “as instituições de ensino públicas e privadas expedirão diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido”.
Ou seja: Maria da Graça, torneiro-mecânico do “gênero” feminino formada pelo Sesi, terá em sua parede um diploma de “torneira-mecânica”. E assim por diante. Pena que minhas colegas jornalistas não possam usufruir da boa nova. Quem mandou ter uma profissão com nome “comum de dois”? Mais: se a Maria foi graduada antes da lei, o Sesi terá de providenciar um novo diploma como “torneira-mecânica”, sem custos.
A bem da verdade, a lei 12.605 – de novo, guardem bem esse número – foi aprovada antes pelo Congresso Nacional. Mas aposto que, na visão de Dilma, é uma das maiores realizações de seu governo até aqui. Pois quem exige ser chamada de presidenta, cita criancinhas em discursos como “brasileirinhos e brasileirinhas” e já se dirigiu ao público de um congresso da juventude petista como “jovens homens e jovens mulheres” (meninos, e meninas, eu ouvi!), está mesmo fazendo gênero.
Poder absoluto? Não. É falta absoluta do que fazer.
(Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. – Todos os direitos reservados)






Um comentário:

Maria José Rezende disse...

Roy, amor. Nunca vi tamanho absurdo. Beijos.