domingo, 2 de maio de 2010

FALSOS PROFETAS (II)

O leitor poderá indagar por que estou narrando tão tristes acontecimentos e se vale a pena registrá-los, duvidando se isto pode concorrer para a melhoria do movimento espírita. Acredito que sim, pois a minha pretensão é alertar os dirigentes de centros para que sejam mais vigilantes, não permtindo que pessoas despreparadas façam palestras. È preciso que se efetue uma triagem cuidadosa na escolha dos conferencistas porque, do modo como são condescendentes, vão terminar ridicularizando a Doutrina a ponto de vermos os centros esvaziados. Imaginem o que pensarão as pessoas de bom senso que ainda são novatas no Espiritismo! Será que retornarão depois de ouvir tantas asneiras? Creio que as mais sensatas não voltarão. Em um centro que já não existe(felizmente!), um amigo pediu que eu fosse falar "um pouco de Espiritismo porque o pessoal está mal acostumado, só querendo tirar proveito da mediunidade". Ao chegar, fui apresentado ao presidente e, em conversa amigavel, ele me confessou nunca ter lido um livro de Allan Kardec (Deus do céu!). Comecei a explanar a Doutrina procurando dar uma visão geral ao público. Ao terminar, um trabalhador da casa levantou-se da fila da frente e disse ter visto, ao meu lado, um velho de barbas longas com uma pedra na mão (os dez mandamentos), no momento em que eu fizera referencia a Moisés. Em seguida, um medium foi tomado por uma entidade que se identificou como André Luis. A plateia ficou embevecida, certa de que o grande missionário ali estava ,mas, quando começaram a lhe fazer perguntas, eis que o 'elevado' espírito declarou: "Vou embora daqui porque este lugar não é digno de mim! Eu estou muito acima de voces!". Nunca mais voltei àquele centro e, um ano depois, soube que foi fechado após uma entidade ter entrado em conflito com o presidente (aquele mesmo que nunca leu uma obra de Kardec) e eles trocaram insultos que culminaram com xingamentos de ambas as parte. Vade retro!
Estou evitando comentários, limitando-me, praticamente, a narrar os fatos, devido ao espaço limitado do jornal, pelo que tenho de utilizar o velho recurso de escrever em série. Mas não quero fechar este capítulo sem antes narrar a palestra que ouví de um velho militante da Doutrina, de cabelos brancos. Ele começou falando sobre a formação do mundo e afirmou que tudo começou com o "BOOOOOOM" que partiu o nada em vários pedaços, daí surgindo a Terra. Interferí, tentando corrigir conforme a Doutrina, e ele se supreendeu, perguntando: "Mas não foi isso que passou na televisão? todo mundo viu!". Sugerí que, em vez de aprender Espiritismo na TV, ele fosse ler A Gênese, de Allan Kardec, pois aquela afirmativa de formação da Terra é incompatível com a Doutrina e ainda não passa de teoria. Certo "palestrante", de grande projeção social, teceu comentários sobre a vida em Marte, detalhando como familias recebem alimentos, nos supermercados, de acordo com o numero de familiares, através de fichas distribuídas pelo governo(marciano é claro). Outro recomencou a um rapaz que pusesse água em um copo e o girasse sobre a cabeça, a fim de livrar-se da "incômoda" mediunidade que estava aflorando. Volto na próxima semana para encerrar o assunto. (Fonte: A Tarde/Gilberto Santos).
MOMENTOBRASILCOM.COM(Comenta):
A referencia sobre as familias que vivem em Marte, passa da comicidade para ridículo extremo. (Vide Ramatis/A Vida em Marte).
O autor tambem é jornalista e trabalhador do Centro Espírita "Lar João Batista"(SSA).

Um comentário:

angela disse...

Parabens pela coragem de ambos