sábado, 8 de maio de 2010

FALSOS DOUTRINADORES (conclusão).

Encerro hoje esta narrativa embora ainda sobrem outros fatos tão inusitados quanto os que venho narrando. Durante quase vinte anos atuei em um centro,inclusive na construção de sua nova sede, até que, de lá, praticamente, fui expulso. A direção da casa convidou um grupo espírita de outro bairro para passar uma semana realizando palestras, na qualidade de convidado especial. A cada dia, um diferente orador se apresentava, e eu fiquei anotando inúmeras falhas porque fui avisado de que visitantes costumavam marcar hora, pela madrugada, para receber alguns marcianos que paravam seus discos voadores lá pelas bandas de Itapuã. Desconfiei deles e fiquei atento. Numa noite, a chefe do grupo "ensinou" aos presentes que a doutrinação era coisa superada, pelo que foi abolida no seu centro, onde o recurso usado para acalmar as entidades que se apresentavam agitadas era entoar cânticos infantis, do tipo "Pai Francisco entrou na roda" ou "Meu limão, meu limoeiro". Um senhor que estava na plateia lhe dirigiu uma pergunta, e ela não respondeu convinientemente. Como o indagante insistia numa explicação clara, a dirigente dos trabalhos do centro anfirião mandou que a falsa doutrinadora convidada seguisse falando, dando o assunto por esclarecido. Coloquei-me ao lado de quem fez a pergunta, afirmando que a resposa não satisfazia e logo foi iniciado um debate, culminando com a minha declaração de que em nenhuma noite os conferencistas apresentaram algo útil ,observando que nem uma só vez mencionaram Kardec, Denis ou Chico Xavier e que falavam de tudo... menos de Espiritismo. Para abreviar, meus amigos, informo que nunca mais fui convidado pelas sucessivas direções daquele centro para proferir palestras, logo eu, que tinha cadeira cativa por mais de 15 anos. Acredito que seus dirigentes gostam mesmo é de conversar com marcianos. È por essas e outras que sempre repito que um presidente de centro espírita deve ter bastante conhecimento sobre a Doutrina e pulso na direção para que, em tais ocasiões, assuma a palavra e esclareça ao público, não passando a mão pela cabeça daqueles que ficam a dizer asneiras que comprometem a Doutrina. Mas o febeapá, no dizer do saudoso Stanislaw Ponte Preta, ainda não acabou. Em sessão mediúnica, uma entidade dirigiu-se a uma senh0ora e lhe receitou varios medicamentos que poderiam piorar sua saúde, em vez de curá-la de seus males. Em seguida, falou um monte de bobagens fazendo o público gargalhar, pelo que tive de passar um carão na plateia, obvservando que uma sessão(se for espírita) é algo muito sério e não se presta como atração circense. Os participantes não gostaram do modo que eu repreendí e de como discordei do espírito engraçadinho, só faltando me agradir. No fim da reunião, o guia dos trabalhos se comunicou e indaguei acerca de tudo quanto eu havia censurado. Felizmente,o caboclo(que era muito respeitado pelos presentes)me cobriu de razões e exclamou: "Branco é muito inteligente!", salvando-me, talvez, de ser linchado. Ainda restam outros fatos desabonadores, mas vou parar por aqui, pedindo aos prezados irmãos que abram os olhos, pelo bem da Doutrina. E, por favor, entendam que se falei essas coisas "não é para o mal de ninguem, senão para o bem de todos", plagiando Martin Fierro, o célebre personagem do notável escritor argentino José Hernandez.
Obs: Gilberto Santos é jornalista e trabalhador do centro espírita Lar João Batista/SSA).

2 comentários:

Maria José disse...

A melhor coisa que o sr. Gilberto Santos fez foi publicar estes fatos e ter abandonado esse Centro que nada tem de Espírita. A melhor coisa que este blog está fazendo é colocar estes fatos a público, alertando a todos sobre a irresponsabilidade de alguns dirigentes de Centros Espíritas, que destroem a imagem do Espiritismo. Parabéns ao amigo Roy Lacerda por estes posts. Grande abraço.

angela disse...

Tem picareta em todo lugar, isso é muito triste