sábado, 28 de novembro de 2009

TIO SAM: 'VOU FERRAR O 'CARA'!

Eleição coloca em xeque posição brasileira sobre Honduras :
A realização de eleições em Honduras, sem que o presidente deposto, Manuel Zelaya, tenha sido restituído ao cargo, colocará o governo brasileiro diante de uma discussão delicada: como levar adiante a promessa de não reconhecer o novo presidente, especialmente se os hondurenhos comparecerem em massa às urnas. A posição pública do Palácio do Planalto é de que o reconhecimento da eleição, neste domingo, significa 'legitimar o golpe', que em junho forçou a saída de Zelaya do poder e do país. A promessa do governo brasileiro, se colocada em prática, poderá resultar no congelamento das relações diplomáticas entre os dois países. Entre as consequências práticas, estão o fechamento da embaixada e a suspensão de acordos. Segundo um diplomata brasileiro, existem ainda implicações políticas. 'Estaremos isolando um país pequeno e que pode ter, neste domingo, uma eleição democrática, com um comparecimento significativo. O Brasil tem uma discussão difícil pela frente', disse ele à BBC Brasil. De acordo com a mesma fonte, oficialmente o governo não tem um 'Plano B' para Honduras. 'Não antecipamos cenários. As avaliações têm sido feitas com base em fatos concretos. E ainda há muito o que acontecer nos próximos dias', afirmou.
Congresso :
Além das eleições, neste domingo os negociadores estarão atentos à decisão do Congresso Nacional de Honduras sobre a restituição ou não de Zelaya ao poder. Na quinta-feira, a Suprema Corte de Justiça deu seu parecer sobre a questão, aconselhando os parlamentares a rechaçar a restituição do mandatário eleito. Com a recomendação da Corte, reduziu-se ainda mais a possibilidade do retorno de Zelaya ao poder. Na avaliação do governo brasileiro, uma saída seria o presidente eleito convencer sua bancada no Congresso a aprovar a restituição de Zelaya. 'Ainda que o eleito seja Pepe Lobo (oposição a Zelaya), ele também tem interesse em ver seu governo legitimado pela comunidade internacional', diz uma fonte do Palácio do Planalto. Apesar de a possibilidade existir, ela é 'pequena', segundo essa mesma fonte. No governo brasileiro, a realização da eleição sem Zelaya é tida como 'fato consumado'. Alguns países, entre eles os Estados Unidos, já declararam que vão reconhecer o novo presidente de Honduras desde que o pleito ocorra com transparência e liberdade de expressão.
Recado:
A principal preocupação do governo brasileiro é com o recado que será dado aos países da região. 'Nossa preocupação é que introduzam a tese do golpe preventivo na América Latina', disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação do Itamaraty, a região tem um histórico de instabilidade política e que é preciso 'combater qualquer estímulo nesse sentido'. O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, diz que o novo regime não deve ser aceito e que a 'tendência é Honduras ser expulsa da OEA'. No dia 4 de dezembro, os 24 países-membros da OEA se reúnem para avaliar as eleições em Honduras e, possivelmente, o futuro do país na organização.
Tratamento:
Questionado pela BBC Brasil, o Itamaraty disse que não comentaria, neste momento, que tratamento será dado a Honduras caso o Brasil não reconheça o novo presidente. Uma fonte diplomática, que acompanha de perto o assunto no Ministério, diz que essa discussão 'ainda não aconteceu'. 'Até o dia 27 de janeiro, o presidente é o Zelaya. Mas após essa data, não sei com quem falaremos em Honduras ou mesmo se falaremos com alguém', diz. O especialista em Relações Internacionais e professor aposentado da Universidade de Brasília Amado Luiz Cervo diz que a postura brasileira, se mantida, levará a uma situação 'no mínimo, curiosa'. 'A tradição brasileira é a de reconhecer mesmo as eleições mais polêmicas', diz. 'Temos um exemplo recente, que foi a eleição de Mahmoud Ahmadinejad, no Irã', acrescenta. Para ele, o Brasil está adotando uma postura 'radical' no caso de Honduras, ao condenar uma eleição que 'ainda nem aconteceu e que pode resultar no congelamento das relações diplomáticas com aquele país'. 'O Brasil tem relações com regimes questionáveis, como o da Coreia do Norte e do Zimbábue. Será no mínimo curioso não termos com
(Fonte:BBC Brasil).
MOMENTOBRASILCOM.COM(Comenta):
Golpes e eleições hondurenhas à parte, o presidente Obama está de camarote, aguardando tão somente o desenrolar dos acontecimentos e, brevemente retalhiações ocorrerão e o Brasil sofrerá tambem as cosequencias. A insatisfação do Tio Sam é grande e pública. E o "Cara" vai ser ferrado.

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