sexta-feira, 23 de outubro de 2009

ABELHAS, MEL & CURIOSIDADES!



As abelhas passam o dia atrás do pólen, do néctar, da água. As crianças e a rainha muito bem cuidadas à geleia real.
EM UMA segunda-feira por mês, há uma palestra sobre comida, "Entre Estantes e Panelas - A Gastronomia de Pensar" na Livraria Cultura (av. Paulista, 2.073, tel. 0/xx/11/3170-4059; grátis), às 18h. (A data do próximo encontro não foi definida.) Não perco por nada. Na última segunda, dia 19, foi sobre abelhas nativas. Consciente de minha ignorância, estudei rapidamente o que as abelhas levaram milhões de anos aprendendo. Como arrancar o mel das flores e, ao mesmo tempo, polinizá-las. Demoramos só uns mil anos para negociar com elas sua doçura.
Vejamos uma colmeia quando tudo está correndo às mil maravilhas. Há 50 mil abelhas funcionando. Delas, 49 mil, as operárias, são estéreis. Fazem o trabalho todo, inclusive a faxina. Procuram as flores, constroem e defendem suas casas, tomam conta dos pequenos, saem às compras. Não têm filhos, trabalho que é deixado para a rainha, que põe cerca de 2.000 ovos por dia e precisa ser alimentada à vela de libra. De vez em quando, a rainha bota um ovo não fertilizado, que se transforma no macho, o zangão, cabeçudo e forte que não faz absolutamente nada. Eles ficam somente esperando que as fêmeas façam todo o serviço da casa e ainda lhes encham a pança. Dão uns passeios com outros machos, sempre de olho nas virgens. Se conseguem se casar, não voltam mais (historinha dramática que fica para outra vez). Se não arranjam um par, voltam para a colmeia e continuam a "dolce vita". Mas até abelha tem limite. Quando vai chegando o outono e continuam solteiros e esfomeados, são postos para fora para que a comida não se acabe, e morrem no frio. E as abelhas continuam no seu ramerrão inacreditável. As crianças e a rainha muito bem cuidadas à geleia real. As abelhas "caçadoras" passam o dia procurando o pólen, o néctar, a água. Lá dentro da casa, são esperadas por outras que pegam o butim e passam o dia bombeando o néctar para dentro e para fora do estômago, convertendo a sacarose [ ] em frutose. Essas operárias sempre enxergam o mundo lá fora com uma ponta de desejo. E não é que chega um dia em que são chamadas por um cordão de dançarinas que, na sua coreografia, indicam a distância e a altura que se deve voar? Coragem! As antigas donas de casa saem voando e, imediatamente, aprendem a buscar o mel, até que suas asas finíssimas comecem a mostrar sinais de uso e [ ] de velhice. E um dia, pumba, morrem. E o incrível é que não haja um ditador mandando nessa complexa estrutura, superorganismo que pensa depressa, adapta-se, e depende da sabedoria para sobreviver. E é claro que tudo que afeta esse programa das abelhas, seus sentidos, sua digestão, seus instintos, é suficiente para confundir esse coreto tão bem ensaiado. Já entenderam, não é? Qualquer vírus, mudança, pode confundir a lógica perfeita desse time de lutadoras. Poluentes, falta de variedade nas flores e mais e mais. E se todas as abelhas sumirem... É uma história comprida e nem comecei ainda a falar das nossas abelhas nativas, do favo da jati que não era tão doce como os lábios de Iracema, a virgem dos lábios de mel. Vamos todos aos seminários, é melhor. E enquanto não chega o próximo, podem ler o livrinho "Fruitless Fall: The Collapse of the Honey Bee and the Coming Agricultural Crisis" (outono infrutífero: o colapso da abelha e a emergente crise na agricultura, sem previsão de lançamento no Brasil), de Rowan Jacobsen. Supimpa. //.(Fonte:Nina Horta/FOLHA)//.

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