sábado, 8 de agosto de 2009

OS VÁRIOS TENTÁCULOS DA CORRUPÇÃO.

Como se não bastasse a exibição de truculência dos comparsas de José Sarney no Senado, como se não bastasse a reaparição despudorada de figuras banidas como Collor de Mello e Renan Calheiros no cenáculo do sistema representativo, como se não bastasse a consagração do cinismo e da mentira numa República empurrada pela real-politik para a beira do abismo, como se não bastasse o retorno vexatório dos senadores biônicos criados pelo regime militar, como se não bastasse o clima de ruptura no início do agourento mês das bruxas, tivemos nesta sexta feira mais uma fanfarronada proferida por aquele que deveria ser o mais sensato, o mais discreto e o mais judicioso dos nossos expoentes. Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, afirmou que a proibição imposta ao jornal “O Estado de S. Paulo” de revelar informações sobre a operação da Polícia Federal que investiga o clã Sarney não constitui censura, “é decisão judicial, não é política”. Vitorioso em duas recentes polêmicas que colocaram a liberdade de expressão como cláusula pétrea do nosso ordenamento jurídico (a extinção integral da Lei de Imprensa e o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo), o Meritíssimo reconheceu que “é possível fazer restrições à liberdade de expressão” e confessou que não conhecia suficientemente o caso da punição ao “Estadão”. Se Gilmar Mendes não conhece a questão sobre a qual se manifestou deveria calar-se. Uma autoridade que se pronuncia sobre algo que ignora corre o risco de ser considerada leviana ou irresponsável. Um magistrado só fala com base nos autos e se o ministro Mendes não teve acesso aos autos e, mesmo assim, proferiu um juízo prematuro, está oferecendo um lamentável exemplo a todos os magistrados do país, já que além presidir o Judiciário, também preside o Conselho Nacional de Justiça. E se admite que é possível fazer restrições à liberdade de imprensa está admitindo publicamente que os seus votos anteriores partiram de premissas erradas e, portanto, estão basicamente errados. Gilmar Mendes confunde tudo: o cerceamento da liberdade de informar do “Estadão” pelo desembargador Dácio Vieira pode não ter motivação política, porém continua valendo como um inequívoco ato censório. É autoritário e antidemocrático. E embora classificada como “decisão judicial” pode estar errada, seja sob o ponto de vista técnico como moral. Convém não esquecer que o desembargador tem notórias ligações com o clã Sarney e seus apaniguados. Certamente levado pelas melhores intenções, o ministro Gilmar Mendes, tenta envolver as decisões judiciais com uma aura de infalibilidade, divina, porém insuficiente para conferir à instituição que preside a necessária confiabilidade. O desembargador Dácio Vieira não quis punir o “Estadão” por ter vazado informações de um inquérito protegido pelo segredo de justiça, o que poderia ter algum cabimento. Inclusive no âmbito da deontologia jornalística. Sua sentença não se refere a uma ação passada, a intenção dos advogados da família Sarney era preventiva: proibia a divulgação de revelações futuras. Este tipo de recurso tem nome: censura prévia. Inspirada em compadrio ou interesse político, é um flagrante atentado à liberdade de informar. Não é censura fardada, é censura togada. Não contente com a barafunda que armou no campo da liberdade de expressão, o supremo magistrado enveredou temerariamente pela crise política desencadeada pela eleição de José Sarney para a presidência do Senado. Como cidadão, é legítima a sua preocupação com os sucessivos escândalos no Senado e também a sua angústia cívica diante da continua interrupção dos mandatos dos presidentes da Casa. Na condição de chefe do Poder Judiciário, porém, sua manifestação é impertinente e extemporânea. Não pacifica, exacerba. Em nosso país, combinam-se as fúrias, a prepotência, as ambições desmedidas e a hipocrisia de diversas formas e nas mais variadas circunstâncias. Nesta quadra do ano, o pernicioso coquetel já produziu desfechos que ficaram conhecidos como agosteiros.
Plenos de desgostos.//
.(Fonte: Alberto Dines/IG)//.
MOMENTOBRASILCOM.COM(Comentário):
Em qual instituição confiar, se até a justiça deixa a desejar. Não é mais tão confiável. Fomentando descontentamentos pessoais. Desnudando antipatias, entre seus membros.Trazendo à tona os melindres que deveriam permanecer submersos à bem do respeito e da confiabilidade da nação. A falta de vontade política e apotência da impunidadecontinuam 'travando' o país.

6 comentários:

angela disse...

A distorção das palavras atingiu um nível que eu nunca vi.

marta disse...

TENHO UMA AMIGA QUE TRABALHA EM UM HOSPITAL E ESTÁ VENDO ALGUNS CASOS
DA GRIPE CHEGAREM COM FREQUENCIA.
SEGUNDO ELA OS DADOS DIVULGADOS PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE...QUAL SERÁ A REALIDADE?

flávia disse...

É,chegamos ao fundo do poço mesmo,vivemos num
estado de calamidade institucional(todas).
As comunidade anti-Sarney no Orkut e no Twitter estão combinando para dia 15 de agosto, sábado, às 14 horas, no vão livre do Masp, ato de protesto pela saída de Sarney do Senado.

Então… Vamos ver se dessa vez cola, né? Outras manifestações foram meio que organizadas, no início de julho, mas pelo jeito a internet em si não tem taaaanto poder assim. Vale, e sempre valerá, o velho poder do trabalho, do convencimento, do boca a boca. Anote aí:

PASSEATAS 15/08/09 AS 14:00 H

* São Paulo - MASP,
* Rio de Janeiro -Posto 6, Copacabana (em frente à rua Souza Lima),
* Porto Alegre - Arco da Redenção
* Belo Horizonte - Praça Sete
* Salvador - Av Garibaldi
* Londrina - Calçadão em frente ao Banco do Brasil;
* Florianópolis - Trapiche da Beira Mar Norte;
* Recife - Avenida Conde da Boa Vista, em frente ao shopping Boa Vista;
* Curitiba - Largo da Ordem 9 (onde ocorre a feira de domingo);
* Vitoria - frente ao Shopping Vitoria;
* Natal - Praça vermelha;
* Goiania - Praça Universitária
* São Luís - Praça João Lisboa (saída às 13h)
* Brasília - Congresso Nacional

Cristina e Márcia disse...

Querido Roy,o cenário político não pode ser mais bizarro!!! Cada um que tenta amenizar,o caldeirão de lodo que fervilha no senado,destrói ++++e +++++ a credibilidade de seus membros...
Chega de Colors(ele ainda vive?),Calheiros,Sarneys...Chega de palhaçada!
Bjs da Cris

Lord disse...

2010 VEM AI, “ELEJA, NÃO REELEJA”, VAMOS LIMPAR O CONGRESSO, AQUELE SHOW DE HORRORES, COM CPIS TERMINANDO EM PIZZA, DEPUTADOS E SENADORES ARROGANTES, ACOBERTANDO UNS AOS OUTROS. OS ATUAIS DEPUTADOS E SENADORES SABEM O QUE ALI OCORRE, POREM SÃO CONIVENTES! ALGUNS CRITICAM SEUS PARES, MAS FALTA CORAGEM. LAMENTÁVEL PORQUE PRECISAMOS DE HOMENS QUE MORALIZEM AQUELAS INSTITUIÇÕES. Caranovanocongresso.blogspot.com

TRIBUNA-BASIL.COM disse...

Atenção: dou um "Astra 0km" de presente à quem disser quem manda no Brasil e prove.(O INDIGNADO)