sexta-feira, 10 de julho de 2009

OS PROTESTOS CONTINUAM

SÓ UMA CABEÇA DO SECULO PASSADO, ACHA QUE PODE CENSURAR A INTERNET.
Caso aproveite o recesso de julho para convalescer das canseiras do Congresso no verão europeu, o deputado federal Flávio Dino precisa preencher com muita cautela os formulários de rotina: convém driblar linhas pontilhadas e quadrinhos que induzam a confissóes de alto risco. Em países civilizados, é um perigo admitir, por exemplo, a condição de brasileiro, maranhense e parlamentar em Brasília. Pode ser prontamente associado a malandragem, José Sarney e corrupção ─ e acabar devolvido ao porto de origem sem passar da Alfândega. Talvez ultrapasse a barreira se revelar que é também militante do Partido Comunista do Brasil. Em contrapartida, não chegará ao hotel ─ e dificilmente empreenderá em vida a viagem de volta. Nenhum país moderno vai perder a chance de enriquecer o museu das velharias políticas com esse exemplar, em bom estado de conservação, de uma espécie extinta no resto do mundo. Para os cientistas políticos, um Flávio Dino tem a mesma relevância que a ararinha azul para os ambientalistas.
Bolivarianos da Venezuela, da Bolívia ou do Equador, muçulmanos-dinamite, coreanos atômicos, iranianos com o olhar de napoleão de hospício, petistas disfarçados de construtores do socialismo ─ essas excentricidades são sempre interessantes, mas aparecem todo dia e, em algumas regiões, parecem multiplicar-se feito coelhos. Flávio Dino é outra coisa. Trata-se de um genuíno comunista brasiliensis neto de Stalin e filho de Mao Tsé-tung que seguiu a linha chinesa até descobrir o paraíso albanês e ali ficar até perder a referência e o rumo. Não é pouca coisa. E não é tudo.
Flávio Dino tem só 41 anos. E anda. E fala. E já foi domesticado. Não atingiu ainda o estágio de um Aldo Rebelo, o comunista que todo capitalista selvagem adoraria ter como genro. Mas um dia chega lá, reafirmou nesta semana
o projeto produzido pelo comunista do Brasil (e do Maranhão) para aumentar o balaio de malandragens que garantem a impunidade dos políticos e reduzir a liberdade de expressão na internet.
Com a cabeça no século passado, e tentando no presente garantir o futuro com serviços prestados à base alugada, Flávio Dino propõe que sejam estendidas aos portais e sites as amarras que fazem das campanhas eleitorais no Brasil as mais tediosas e imbecis do planeta. Pura perda de tempo. Se nem ditaduras escancaradas conseguem domar a internet, não será uma velharia velhaca a autora da proeza.
Os jornalistas continuarão noticiando, os colunistas continuarão opinando, os leitores continuarão comentando.
Assim foi, é assim e assim sempre será.
(Augusto Dines/Veja).//.
MOMENTOBRASILCOM.COM(Comentário):
Os políticos brasileiros por terem 'um rei na barriga' pensam que são os donos da verdade. Ilustre desconhecido da maioria dos brasileiros, encontrou com tamanha asneira seus 15 minutos de fama. E deverá voltar para seu lugar: o ostracismo.




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