sábado, 4 de abril de 2009

REFORMA 'PORNOGRÁFICA' (PARTE I )

Luís Mauro Ferreira Gomes* (30/03/2009)Quem tem lido o que escrevemos sabe que, na seleção dos temas, dificilmente, fugimos do nosso objetivo principal – denunciar os avanços do grupo que, a partir do governo federal, pretende implantar uma extemporânea ditadura de esquerda no País.Desta vez, aparentemente, vamos romper a regra para falar sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Embora o façamos justamente no momento em que o editor do único veículo que ainda publicava os nossos artigos políticos (e os vinha acolhendo, desde meados do ano de 2003) decidiu não mais fazê-lo, não foi essa a razão da nossa escolha.Se, para não desagradar os detentores do poder, para satisfazer a antipatias ou maus humores ou, ainda, por qualquer outra razão, rejeitam os nossos textos sérios, não nos interessa que divulguem matérias em que, por ventura, abordemos o que a sabedoria popular convencionou chamar de “abobrinhas”. Não obstante, o assunto de que trataremos está intimamente ligado à nossa principal preocupação. É o que veremos a seguir.Os mitos Como tem sido muito comum, sempre que pretendem impor à sociedade normas que lhe ferem profundamente os interesses ou os direitos, a mentira é usada sem nenhum pudor pelos agentes públicos e por formadores de opinião inescrupulosos. Por certo, aqui não foi diferente. Vamos contradizer alguns dos argumentos mais usados para defender essa excrescência conhecida como Reforma OrtográficaVejamos 1) A língua portuguesa é a única que não tem uma ortografia única.Inverdade! Ao contrário, todas as que conhecemos admitem que certas palavras sejam grafadas de forma diferente, conforme os países em que são faladas. Em inglês, por exemplo, as palavras licença e centro grafam-se, respectivamente, “licence” e “centre”, na Inglaterra, e “license” e “center”, nos Estados Unidos. Os bons dicionários registram as duas formas. Como disse George Bernard Shaw, “England and America are two countries separated by a common language”. Já os nossos amigos e vizinhos, os argentinos, fazendo o uso do “voseo” (emprego do pronome “vos”, por “tu”), escrevem “vos tenés”, em vez de “vosotros teneis”. A Gramática, o Dicionário e o Dicionário Pan-Hispânico de Dúvidas da Real Academia Espanhola registram-no. Como esses, há uma infinidade de outros exemplos, qualquer que seja o idioma escolhido.2) O português, até hoje, não é uma língua oficial da ONU, porque não tem uma ortografia unificada.Inverdade! Como vimos, o inglês e o espanhol admitem mais de uma forma de se grafarem as palavras e são idiomas oficiais daquela Organização. Se o nosso ainda não o é, isso provavelmente se deve à ineficiência da ação diplomática dos governos dos países lusófonos. Além disso, como veremos a seguir, as mudanças cosméticas pouco alteraram a duplicidade de grafia das palavras em português..(*) - (O autor é Coronel-Aviador reformado) (Continua)

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